terça-feira, 3 de agosto de 2010

A morte convida para dançar
Viviane Rezende
Era o meu último ano na faculdade de psicologia em uma pequena, porém charmosa cidade chamada Periclitans Vill. Minha festa de formatura se aproximava, mas ainda não tinha me dado conta de que um ciclo da minha vida terminara e outro completamente novo, estava por vir. Afinal uma nova Julia, corajosa, audaz e desafiadora, tomara o lugar de uma adolescente tímida e desconcertada.
No dia seguinte, na faculdade foram entregues os convites para o baile, lacrado num envelope negro, um papel escrito com letras vermelhas como o sangue a frase “A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR”, e na parte inferior do papel estava o endereço do salão.
O baile aconteceria num antigo casarão da cidade, que por muitos anos funcionou como um salão de festas, mas após alguns desaparecimentos e mortes inexplicáveis no local, este foi fechado e a lenda da casa mal-assombrada surgiu.
Meus melhores amigos Paula, Lucas e Mateus eram os responsáveis pela organização da festa, eles me disseram que haviam escolhido o local, devido seu baixo custo o tema surgiu pela assombrosa lenda do casarão e pelo fato de não ter que reformá-lo, afinal a decoração esconderia os grandes estragos feitos pelo tempo e permaneceria o ar de mistério dando o terror necessário para uma festa, no mínimo diferente de todas.
Naquela noite, fui para casa mais cedo para descansar. Estava em meu quarto tentado dormir, a temperatura caiu bruscamente e enrolada em minhas cobertas relutei em ir fechar a janela, o vento frio que entrava por ela me trazia calafrios. Logo vi que não conseguiria dormir, acendi a luz do abajur e me virei para a janela, que para minha surpresa estava fechada.
De repente a luz se apagou e uma escuridão incomum tomou conta do meu quarto, tive a sensação de não estar só. O frio aumentou e uma fumaça enegrecida se posicionou acima do meu corpo, agora paralisado de medo, o vento tomou a forma de uma respiração que lançava em meu rosto um ar gélido de congelar os ossos. Mesmo com medo, consegui perguntar:
- O que você quer?
A criatura tocou em meus olhos, que se fecharam de pavor e disse:
- Que abra os olhos e me encontre!
Neste momento despertei do pesadelo, com o som agudo do despertador.
O dia do baile finalmente havia chegado. Paula, Mateus, Lucas e eu fomos juntos no mesmo carro. Ao chegar ao local descrito no convite, percebi que realmente devia ter algo errado naquele lugar.
Era estranhamente mais frio que o restante da cidade, tinha pouca luminosidade e toda a vegetação ao redor estava morta, o casarão tinha uma arquitetura antiga, a madeira estava velha e com muita umidade.
A primeira coisa que se via ao entrar no salão era a grande faixa com o tema do baile (A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR). A decoração estava assustadora, embora fosse desnecessário, pois a construção do casarão já era de assustar qualquer um.
Os estudantes da nossa turma lotavam o lugar que agora era uma imensa pista de dança. Alguns mais corajosos visitavam cada cômodo da casa. Para ter acesso ao piso superior era necessário subir uma escada de madeira um tanto perigosa.
Mateus insistiu em conhecer o restante da casa, enquanto a festa ocorria na pista de dança, subimos para um dos seus cômodos. Quando o número de pessoas no quarto se restringiu a nós quatro, Paula nos mostrou documentos que constavam a história do antigo casarão.
Em meio a várias páginas de jornais, o mais antigo datava de 1890, informava sobre um grande casamento que terminou em tragédia. A noiva chamada Samanta desapareceu misteriosamente no dia de seu casamento, o dono do salão desapareceu pouco tempo depois. Assim ambos foram dados como mortos, sem ninguém nunca ter encontrado seus corpos. Outros papéis relatavam a morte de policiais que procuravam o corpo da jovem na casa, e mais recentemente a morte de três homens que foram contratados para a reforma do salão. Deste dia até o baile a casa não havia sido visitada por mais ninguém.
Sem acreditar em fantasmas Mateus começou a zombar e rir do suspense que Paula fez para nos contar esta história. Foi então que ouvimos um barulho vindo do corredor da casa. Corremos até lá para ver o que estava acontecendo, mas ao sairmos do quarto a porta se fechou, trancando Mateus. Enquanto tentávamos a porta, a luz se apagou, Mateus com desespero pediu que abríssemos a porta, ele disse que tinha alguém lá dentro com ele. E foi neste momento que ouvimos algo como um urro de um animal enfurecido. Mateus pedia desesperadamente por socorro, enquanto algo o feria com violência. Podíamos ouvir no quarto o som de seus ossos sendo quebrados. O som da música lá embaixo, abafava os nossos gritos de socorro. Lucas e Paula tentaram descer para pedir ajuda, mas uma força invisível não deixava que saíssemos do corredor.
De repente os gritos de dor cessaram e minha mão que antes forçava para abrir a porta, já não encontrou resistência, entramos no quarto escuro chamando por Mateus, mas não tínhamos nenhuma resposta. A luz então acendeu e ficamos apavorados com o que vimos, nosso amigo estava dividido em pedaços pelo quarto e com seu sangue foi escrito na parede a frase “A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR”.
O pavor tomou conta do meu ser, vi neste momento um vulto negro que fez com que Paula e Lucas desmaiassem, quando se aproximou de mim, tentei ser forte para não perder a consciência. O vulto então revelou a mim a face de um homem vil de alma demoníaca, ele me disse:
- Durma, este é apenas o princípio, ainda não cansei de brincar!
Então desmaiei.
Paula e Lucas me acordaram, estavam desesperados, mesmo assim olhei ao redor com esperança de tudo não ter passado de um pesadelo, mas o corpo de Mateus ainda estava espalhado pelo quarto. Olhei no relógio e eram 18h45min do dia seguinte.
Tentamos abrir a porta, mas estava trancada. Ouvimos então um barulho no piso inferior, a porta mais uma vez se destrancou sozinha. Saímos dessa vez todos juntos e fomos até o corredor, ao chegarmos na escada avistamos na pista de dança uma jovem muito bela, de vestido branco. Lucas foi até ela pensando ser uma das formandas da nossa turma.
Quando se aproximou da jovem, o vulto negro o envolveu num abraço mortal, tentamos livrar-lo, mas a criatura era mais forte e em pouco tampo já não havia vida em nosso amigo. A criatura então envolveu a jovem que havíamos visto e disse olhando para mim:
- Ela será minha por toda a eternidade.
E então desapareceu.
Paula e eu procurávamos então uma saída, mas a casa inteira estava sob a influência da criatura que havia trancado todas as portas.
Voltamos então ao quarto onde tudo começou, a procura de respostas nos documentos que contavam a historia da casa. Descobrimos então uma foto da noiva com o padrinho de casamento, que era o dono da casa. Ao vê-lo, reconheci a face do fantasma que após matar Mateus, se revelou a mim.
Concluímos então que se a noiva desapareceu daquele quarto, então devia ter uma saída secreta. Começamos a procurar, por qualquer madeira solta, para nossa surpresa encontramos uma parede falsa que dava para uma escada, esta nos levou ate o porão da casa.
Encontramos então algo que parecia ser um cativeiro, uma cama com correntes e poucos móveis ao redor. A porta que encontramos se fechou e toda a claridade que tínhamos vinda do quarto, tornou-se escuridão.
Ouvimos então um riso zombador e uma força estranha fez com que eu desmaiasse, senti Paula sendo puxada dos meus braços enquanto gritava, sendo ferida pelo fantasma.
Eu estava ainda sobre o efeito da criatura quando senti uma mão fria que tocou em meu rosto e disse:
- Julia abra os olhos e me encontre.
Então abri os olhos e vi o fantasma de Samanta que rapidamente desapareceu. Levantei-me e percebi que estava na cama onde ela havia sido prisioneira.
O lugar agora estava parcialmente iluminado por velas e parecia mais assustador do que na escuridão. Peguei uma vela para investigar o lugar, iluminei as paredes em busca de uma saída, foi aí, que encontrei presos as paredes os corpos de meus amigos e mais ao fundo um corpo já decomposto, era o corpo de Samanta, ela foi torturada até a morte e estava posto ali como um troféu daquela criatura repugnante.
O frio tomou conta do lugar mais uma vez e eu sabia que era ele que vinha para me matar. A sombra tomou forma em minha frente tocou meu rosto e meus lábios e disse:
- Julia, eu dei amor e carinho para Sam, eu fiz para ela este quarto, eu a alimentei e ela me rejeitou por isso, só por isso eu a matei. Sem o amor dela a minha vida perdeu o sentido e então eu cometi suicídio e estou aprisionado aqui neste lugar com ela. Mas agora eu tenho você Julia, você vai me amar? Não vai?
Então neste momento Samanta apareceu e me tirou das garras do assassino. Saí correndo daquele lugar e podia sentir que ele me seguia, a porta da casa estava aberta então corri para uma floresta ao fundo da casa. Corria por entre as árvores e a fúria dele as despedaçava atrás de mim.
Enquanto corria vi ao longe uma caverna e decidi me esconder lá, usei um isqueiro para iluminar o local e então vi um homem numa forca. A criatura entrou também na caverna e ao ver que havia encontrado o seu corpo, veio em minha direção para me matar. Direcionei a chama do isqueiro para o corpo apodrecido do homem e neste momento o corpo ficou em chamas e a criatura contorceu-se de fúria, pois com seu corpo queimado foi obrigada a deixar este lugar.
Voltei então para o casarão e coloquei fogo no corpo de Samanta para que enfim tivesse descanso. Ao sair de lá, a casa inteira ardeu em chamas, dando fim ao sofrimento de muitas almas que padeceram naquele lugar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Estranha Senhora

Por Alexandre de Paula




No começo do século XX no subúrbio uma pequena cidade do interior, vivia uma jovem que não era cobiçada pelos homens da época, pois ela se vestia com roupas estranhas e não apresentava uma beleza agradável, vivia sem ter amigos ou pessoas com quem pudesse conversar. Ela morava sozinha e sua casa era feia, inacabada, com muita sujeira e insetos, sempre se ouviam barulhos e rugidos estranhos, como se algo estivesse sendo construindo, algo que levaria meses ou até anos para ser terminado.
A estranha jovem passava muito tempo no porão da casa que era sujo e tinha pouca claridade, possuindo apenas uma janelinha de onde se dava para observar o que acontecia dentro do mesmo.
Na vizinhança moravam dois meninos, João e Pedro, dois garotos inteligentes e muito curiosos.
Num belo dia, João teve a idéia de explorar a casa tão temida e mais assustadora da região, conseguiram entrar pela janela da sala, dentro da casa tudo parecia abandonado, foram em direção a cozinha nos fundo, no corredor viram uma porta semi-aberta que dava provavelmente para um porão, ouviram barulhos, começaram a descer as escadas e de lá sentiram um cheiro muito forte, parecendo carne podre, quando desceram mais um pouco, abaixaram e viram que havia vários corpos em macas, muitos deles estavam mutilados. Ao perceberem que estavam diante de possíveis crimes, os meninos ficaram assustados, mais a curiosidade os impelia a continuar, desceram mais e esconderam-se num canto escuro, foi quando a jovem apareceu, eles começaram a tremer, ao vê-la com um bisturi nas mãos, ela se aproximou de um corpo, retirou cuidadosamente um pedaço de pele, ela fazia tudo com muita habilidade e cuidado, depois ela colocou a pele num recipiente e foi em direção a uma maca principal onde havia um corpo masculino.
João e Pedro continuaram por ali por alguns minutos, observando a movimentação, até que a campainha tocou e a moça saiu para atender a porta, os meninos decidiram se aproximar do corpo que a moça estava trabalhando e viram que realmente era um rapaz e o mais assombroso era que ele estava sendo construído com os pedaços dos outros corpos na sala, vários órgãos estavam dentro de recipientes com líquidos estranhos e fedorentos, neste instante eles perceberam que a moça estava voltando, não havia modo de fugir, então eles se esconderam novamente.
Os dois se seguraram para não chorar, pois a moça poderia ouvi-los e fazer com eles o mesmo que tinha feito com aquelas pessoas, que ali se encontravam.
No lugar havia muita poeira e Pedro era alérgico e bastou a jovem retirar e jogar um lençol em sua direção que ele não pode conter o espirro.
A jovem ouviu e ficou furiosa, afinal quem se atreveria a entrar na sua casa para bisbilhotar suas coisas, logo perguntou:
- Quem está aí? Como não obteve resposta, continuou trabalhando. De repente ela ouviu um barulho e virou-se foi neste momento que ela viu Pedro assustado tentando correr, ela rapidamente o agarrou com muita força, Pedro com medo começou a espernear e a pedir:
- Não me mata! Não me mata!
Ela começou a rir e Pedro se assustou mais ainda, então calmamente ela perguntou:
- O que você está fazendo aqui, menino enxerido?
- Estava brincando de pique – esconde com meu amigo... J...e... entramos aqui, me desculpa! Desculpa-me! Não me mate! Por favor!
Nisso João saiu de baixo da mesa, chorando e pedindo para que ela não matasse seu amigo, novamente ela começou a rir e disse docemente:
- Eu não vou matar vocês. E soltou Pedro que correu em direção ao João e surpresos perguntaram:
- O que você vai fazer conosco?
- Nada, eu não sou tão mal quando pareço.
João admirado perguntou:
- Então por que você tem tantas pessoas mortas em sua casa?
Ela então respondeu:
- Quando eu nasci, minha mãe morreu, então fui criada com meu pai e ele me batia muito, então por isso que eu sou assim, não tenho uma beleza que possa encantar os olhos dos homens dessa região, mas não é porque eu sofri tanto que mato pessoas, os corpos que vocês estão vendo são de pessoas que já estavam mortas, esses corpos eu peguei no necrotério, aquele que fica na saída da cidade.
A moça começou a falar baixo, como se estivesse contando um segredo:
- Eu vou contar para vocês porque eu peguei estes corpos, eu sou muito só e se o que eu estiver fazendo der certo, vai mudar toda minha vida! Com o olhar distante a jovem continuou divagando:
- Com ele não vou ter medo de sair nas ruas e quando estiver perto dele vou ficar mais segura, sem ter medo de errar e finalmente continuar o que meu pai parou de fazer após sua morte.
- Como assim ele? Perguntou Pedro sem entender do que a moça falava.
A moça ficou pensativa e continuou:
- Até porque estou muito doente, eu tenho uma doença que não tem cura.
Pedro começou a sentir pena da jovem e perguntou:
- Então você vai morrer em pouco tempo?
- Naturalmente, por isto que eu queria aproveitar a vida, enquanto ainda há tempo, pois os anos passam muito rápidos e estou construindo um homem para mim e vou aproveitar a vida que me resta.
João e Pedro acharam aquela história muito esquisita, tinham que sair logo dali, e começaram a se desvencilhar da jovem com a intenção de sair logo daquele lugar fétido.
- Estamos muito tristes com sua história dona, mas temos que ir, prometemos que não vamos contar para a polícia e para ninguém o que vimos aqui, certo? Então tchau moça!
Neste momento a jovem mudou a fisionomia e disse bruscamente:
- Realmente vocês não vão contar nada para ninguém! Agora que vocês sabem de tudo não posso deixá-los ir. Disse isto agarrando os dois pelos braços e colocando na mesa e amarrando fortemente.
- Vou cortar vocês em pedacinhos para ninguém reconhecer vocês.
Os dois ficaram desesperados e começaram a gritar, inutilmente, pois ninguém poderia ouvi-los lá do porão da casa. Então eles propuseram à jovem que eles poderiam ajudar no seu mórbido trabalho.
A jovem recusou a ajuda e disse que tinha outros planos para eles e continuou trabalhando, pois já estava quase no final da sua obra.
Os meninos assistiram a todo o trabalho, apavorados e torcendo para que a aquela loucura acabasse quando ela percebesse que jamais conseguiria trazer a vida um corpo construído com pedaços de outros corpos.
Mas eles estavam enganados a jovem era filha de um famoso cientista que durante sua vida pesquisou sobre a possibilidade de trazer vida a corpos inanimados através de correntes elétricas e fluídos sintéticos, o problema é que ele faleceu antes de comprovar suas teorias, a jovem que herdara a inteligência do pai, estudou suas anotações, montou novamente seu laboratório e resolveu dar continuidade as estranhas experiências do pai.
Quando os meninos invadiram a casa da jovem, ela estava no final de sua experiência, e não demorou muito para finalizar a construção do “homem perfeito”, a jovem parecia indecisa e nervosa, faltava apenas dar a descarga elétrica que faria funcionar os órgãos do morto, trazendo-o novamente a vida.
- Será que vai dar certo? Perguntava ansiosa a jovem a si mesma.
A cena foi apavorante, depois de fazer as últimas costuras na pele, a jovem colocou os transmissores de energia e aplicou uma descarga elétrica no peito da criatura, esta depois de alguns minutos abriu os olhos e lentamente sentou-se na maca, seu semblante era duro e suas feições cruéis, olhou para tudo em sua volta e seu olhar continha muita raiva, fixou seu olhar num canto onde estavam João e Pedro amarrados, a jovem foi logo dizendo:
- Meu querido, seja bem-vindo, imagino que você esteja com fome, meu pai havia previsto que a ressurreição provocaria uma reação semelhante a nossa fome e que somente a carne humana satisfaria.
A criatura olhou para a jovem como se a reconhecesse, no entanto não disse nada, apenas saltou da maca onde estava sentado, sua visão era horrível, embora fosse feito das melhores partes dos corpos, não deixava de ser um recorte de carne deformado.
Neste meio tempo a jovem agarrou os meninos e os arrastou até a criatura e os ofereceu, dizendo:
- Meu amor, guardei estes meninos para sua primeira refeição, tome esta faca, imagino que você prefira carne fresca.
A criatura continuou olhando para os meninos, como se não ouvisse a jovem que permanecia apreensiva a seu lado.
Os meninos tremiam e choravam imaginando os horrores que iriam passar, mas para surpresa deles a criatura voltou seu corpo e seu olhar para a jovem e nos seus lábios roxos brotou um sorriso maligno e com uma voz rouca disse abrindo os braços:
- Minha querida...
A jovem estupefata com a ação da criatura soltou os meninos e caminhou em direção ao seu amado, que a abraçou fortemente, inicialmente parecia um abraço normal mais ele começou a apertar e sufocá-la, então a jovem percebeu e tentou se soltar, mais não conseguia.
João e Pedro ao verem isto, aproveitaram a oportunidade para sair correndo, a jovem começou a pedir socorro desesperada, quando os meninos alcançaram à escada que dava acesso a sala, olharam para trás e viram a moça agonizando, Pedro disse:
- João vamos voltar para ajudar!
Mas, João conseguindo abrir a porta olhou para a cena e com um olhar desdenhoso, disse para eles correrem, pois não podiam fazer nada, a não ser buscar ajuda.
Ao sair da casa os dois correram muito até encontrarem um rapaz que vendo o desespero dos dois chamou a polícia.
Ao chegar e ouvir a história dos meninos, os policiais acharam melhor ir a casa para constatar se não era apenas a imaginação dos meninos, como a casa estava aberta os policiais entraram observaram que tinha muita coisa antiga e muita sujeira, mais não encontraram nada de errado, irritados decidiram chamar os garotos que estavam do lado de fora.
O policial perguntou para os meninos se eles não estavam mentindo, os dois explicaram que os corpos ficavam no porão da casa, o comandante ordenou que os seus homens entrassem novamente olhando tudo, pois havia um porão na casa.
Lá embaixo veio a surpresa, além de ter muitos corpos espalhados pelo local, havia muito sangue, muitas coisas reviradas como se ali se estive ocorrido uma briga, no centro estavam os corpos de uma mulher, semelhante com a que os meninos haviam falado e de um estranho homem junto a ela, o corpo da mulher estava dilacerado com marcas de facadas, unhas e mordidas, já o homem estava com uma faca cravada no peito, como se ele tivesse se matado.
A polícia fez uma investigação e descobriu que as maiorias dos corpos que estavam no local eram de jovens que haviam desaparecido recentemente e que outros corpos realmente tinham sido roubados do necrotério da cidade, as famílias foram comunicadas e agradeceram muito aos meninos por ajudarem a encontrar seus entes queridos desaparecidos.
Estes por sua vez, ficaram muito traumatizados com que viram e somente depois de muito tempo conseguiram superar o trauma.
A polícia também descobriu que o nome da jovem que fazia as experiências era Rebecca Muller, ela e o misterioso homem, que possivelmente a matou, foram enterrados na vala comum do cemitério da prefeitura, as autoridades fizeram o possível para que a história não saísse nos jornais para não criar alarde diante dos fatos macabros.
Com o passar do tempo a cidade esqueceu os fatos, a casa que havia ficado abandonada foi demolida e construíram um parque no local, ironicamente onde os netos de João e Pedro as vezes brincavam, sem imaginar o quanto seus avós haviam sofrido naquele lugar.